Inspirado no mangá de Tatsuki Fujimoto, durante a pausa dele em sua obra principal Chainsaw Man (2018), e produzido por Kiyota Oshiyama do Studio Durian, Look Back (2024) comove ao nos fazer questionar: por quê? Quais são os nossos motivos para fazer o que fazemos?

Fujino é uma garota que tenta ser segura de si, ela desenha não apenas pela atenção, mas porque se diverte criando histórias. O passatempo dela, no entanto, a coloca frente a uma verdade brutal ao ver os desenhos de outra colega de sala: ela não é e talvez nunca será a melhor naquilo que ama fazer. É interessante observar que não são os comentários ácidos que passa a receber, quando começa a se dedicar mais ao desenho, que a impedem de continuar, mas o fato de se esforçar e, ainda assim, enxergar os cenários de Kyomoto, a colega de sala, como melhores do que os dela.

Kyomoto é o oposto dela, é uma garota introvertida, mas sincera, que, por conta da fobia social, se isola dentro de casa. Ela vê Fujino como uma sensei e, a partir do espaço que compartilham juntas no jornal escolar, ela mantém um fio de conexão com a escola e, por que não dizer, com a sociedade. Enquanto Fujino abandona as tirinhas e dedica-se ao colegial, Kyomoto se apoia nelas para seguir em frente. É a afeição que ela sente por Fujino, expressa em voz alta em um acaso do destino, que as leva a construir uma amizade e se tornarem companheiras de trabalho.

Vemos, porém, que, com o passar do tempo, os objetivos de ambas vão se afastando. Kyomoto quer deixar de depender do apoio da parceira e vê na ideia de cursar uma universidade de arte uma oportunidade de alcançar esse objetivo, enquanto Fujino tem certeza que quer seguir com a carreira de mangaká e enxerga na decisão de Kyomoto uma traição.

A arrogância e medo de Fujino rompem o laço entre elas… e então o pior acontece. A partir do rompimento entre elas, o contexto passa a girar em torno do ato de relembrar o passado. Sobre o quão efêmera a vida é e como a euforia da juventude nos faz esquecer disso. É sobre nossas escolhas, arrependimentos, memórias e, principalmente, sobre os “e se?” que sempre farão parte da existência humana.

Os “e se?” funcionam como uma forma de elaborar nossas próprias angústias, quase como um tipo de realismo fantástico que nos ajuda a lidar com elas e, ao mesmo tempo, a alimentá-las. Como um yonkoma ou como um yomikiri, a animação se estrutura com uma introdução, que apresenta a situação; um desenvolvimento, em que ela se expande; uma reviravolta, quando algo inesperado acontece; e uma conclusão, que finaliza com impacto ou humor. 

No caso de Look Back, é o impacto que se traduz em uma pergunta sem resposta: por que fazemos o que fazemos? E em uma certeza dolorida que só o luto poderia trazer: a vida acontece como deseja acontecer, independentemente do que fazemos; nosso dever com aqueles que amamos é apenas estar presente.

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